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| Debate
“O conceito de democracia só alcançará um sentido real e dinâmico quando as orientações políticas e as legislações nacionais sejam definidas em comum pelos homens e pelas mulheres, tendo em conta de modo equitativo, os interesses e atitudes de ambas as metades da população”. (Conselho Interparlamentar, Paris, 1992)
Nem todas as mulheres são conscientes de que precisam estar engajadas
nos processos que lhe asseguram mais vez e voz nos mais diversos
campos de atuação. Recentemente a participação
da mulher nos centros de decisão, foi o assunto abordado pela
TV Mundial, Canal 27 - através do programa Ministério do
Povo, apresentado por Edvaldo Ribeiro. Compuseram o painel
de debates, cinco convidadas, consideradas formadoras de opinião
e participativas no contexto econômico, político e social:
Madalena Rodrigues dos Santos Vieira, professora de Serviço Social
e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas de Organização
da Mulher - NUEPOM, deputada estadual, Serys Slhessarenko, reeleita
neste ano, com o segundo maior número de votos em Mato Grosso, a
economista Denise Niederauer da Silveira, conselheira do Conselho Regional
de Economia - Corecon, Lis Andréa, publicitária, responsável
pela agência Lysand Marketing e Propaganda e a jornalista e professora
de Comunicação Social, Sueli Batista, diretora do Jornal
Rosa Choque e da Studio Press Comunicação e Editora. O debate,
foi muito interessante e nesta edição, o Jornal Rosa Choque
destaca seus trechos mais importantes. Madalena Rodrigues iniciou
a sua participação no debate, colocando que os números
comprovam que o crescimento da mulher na política é ainda
pequeno, tomando por exemplo o número de cotas reservados para a
mesma ingressar na política partidária. A coordenadora
do Nuepom lembrou que a lei de cotas é de 25%, mas que
as próprias mulheres não chegaram a utilizá-la em
mais de 50%. Esta participação em nível nacional
ficou em 12.5%, e em Mato Grosso não chegou a 9%, disse ela, portanto
não atingiu o que lhe é assegurado pela lei. Com este percentual,
foram eleitas no Estado, duas candidatas a deputadas federais: Celcita
Pinheiro com 51.680 votos e Teté Bezerra com 42.592 e uma deputada
estadual, Serys Slhessarenko, que elegeu-se com números expressivos
22.694 votos.
Serys deixa claro que a mulher tem que ser também agente nas decisões políticas , “temos que buscar o poder e conquistá-lo. Mas o poder com compromisso às causas populares, não só da mulher, mas também do negro, dos sem moradia, sem terra, desempregado etc...” A luta na política é a abertura de todas as correntes . Portanto, Serys aponta que a mulher deve sim, lutar nas associações de bairros e escolas. Enfim, em todos os setores, mas principalmente o político, pois a decisão do poder só se encontra na política partidária.. Ela salienta que ainda se assusta com o fato de que grande parcela das mulheres faz parte dos diretórios, inclusive na direção, mas na hora da eleição mobiliza-se para eleger os homens. Serys aponta que os políticos sabem que as mulheres trabalham com responsabilidade e seriedade e que exercem influência na decisão, ou seja, os elegem. Tem grupos de mulheres verdadeiros “pé- de- boi mesmo”, diz Serys, referindo-se ao trabalho das mesmas nas eleições, mas depois que elegem os homens, não tem oportunidades em cargos majoritários, por isso que ela pergunta: quantas mulheres têm como chefes de gabinetes? quantas têm como secretárias de Estado, Secretárias de Municípios,quantas prefeitas?, quantas governadoras? Quantas ministras? Um dado que pode colocar muitas mulheres a repensarem suas posições, principalmente em relação a última eleição foi apresentado por Serys., que destacou que a Assembléia Legislativa Provincial foi instituida em 12 de agosto de 1838 e de lá prá cá, até os nossos dias, apenas 5 mulheres passaram pelo legislativo estadual: Olívia Inciso, Sarita Baracat, Thais Barbosa, Zilda Campos e ela, que é a primeira e única reeleita. Valendo destacar, que no próximo ano assumirá o seu terceiro mandato legislativo, um fato raro. Pelo que foi colocado por Serys, são 150 anos de Assembléia Legislativa em Mato Grosso. Neste longo período, tivemos tão poucas representantes. Todas as participantes do debate, deixaram claro que está na hora de mudar este quadro. Mesmo porque, a mulher tem força prá isso. Resta saber se a maioria continuará a usá-la no sentido oposto. |
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